LGPD para aplicativos: melhores práticas para garantir a conformidade e proteger os usuários

Tela de celular com orientações sobre coleta de dados em aplicativo

A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) revolucionou o cenário digital no Brasil, impondo novas regras para o tratamento de dados pessoais. Com a “democratização da Internet” e a consequente popularização de aplicativos, as empresas e os desenvolvedores se deparam com um novo contexto que une tecnologia e legislação: a LGPD para aplicativos.

Isso se explica pelo fato de que, ao mesmo tempo em que são ferramentas indispensáveis para diversas atividades cotidianas (com muitos profissionais usando-os como instrumento de trabalho), os aplicativos processam dados em larga escala, o que faz da segurança de informações uma prioridade inegável.

A seguir, abordaremos os desafios, as estratégias e as boas práticas para assegurar a conformidade dos aplicativos com a LGPD, que se aplica ao tratamento de dados localizados no Brasil, independentemente da sede da empresa desenvolvedora ou proprietária do aplicativo.

Contextualizando a LGPD para aplicativos

A LGPD (Lei 13.709/2018) foi criada em 2020 para garantir maior controle sobre os dados pessoais e aumentar a transparência no tratamento dessas informações.

No que se refere à LGPD para aplicativos, vemos o surgimento de uma nova cultura de privacidade e responsabilidade sobre os dados, exigindo que as empresas adotem medidas preventivas que evitem vazamentos, acessos indevidos e outros incidentes de segurança.

Seja em um aplicativo de entrega, uma rede social ou uma ferramenta de produtividade, qualquer atividade de coleta, armazenamento ou compartilhamento de dados (como nome, e-mail, localização, comportamento e preferências de usuários) deve seguir regras rígidas.

Homem de terno e gravata segurando um celular e ícones de proteção de dados aparecendo na tela

A não conformidade pode gerar consequências jurídicas, além de danos financeiros e institucionais às empresas, tais como:

  • Bloqueios: a justiça pode determinar a eliminação dos dados pessoais envolvidos, a suspensão parcial do banco de dados envolvido por até seis meses e proibição parcial ou total do exercício de atividades relacionadas ao tratamento de dados.
  • Multas: podem custar até 2% do faturamento da empresa no Brasil no ano anterior, limitado a R$ 50 milhões por infração.
  • Reputação: empresas que têm problemas de segurança dos dados estão sujeitas a queda de reputação em seus mercados.

Desafios dos aplicativos na adequação à LGPD

Segundo a pesquisa “Privacidade e proteção de dados pessoais: perspectivas de indivíduos, empresas e organizações públicas no Brasil”, realizada pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), 32% das empresas desenvolveram um plano de conformidade ou adequação à proteção de dados pessoais e apenas 25% das empresas elaboraram uma política de incidentes de segurança envolvendo dados pessoais.

O ideal é que os índices sejam maiores em relação às ações visando a LGPD, que ainda apresenta uma série de desafios para os responsáveis por aplicativos:

  • Consentimento: os usuários devem ser claramente informados sobre o motivo da coleta de seus dados e as permissões concedidas devem ser apenas de informações realmente essenciais para o manuseio do aplicativo.
  • Integração: as medidas de segurança (criptografia, controle de acesso e monitoramento constante) devem ser integradas com objetivo de mitigar riscos. A ausência da integração pode tornar os aplicativos vulneráveis a ataques cibernéticos e comprometer os dados.
  • Qualidade dos dados: é necessário assegurar que as informações sejam precisas, claras e relevantes, o que implica em disponibilizar recursos para que os usuários possam corrigir ou atualizar seus dados pessoais dentro do aplicativo.

Homem de camisa social e gravata falando no celular e apontando para o ícone do ecossistema de consentimento para compartilhamento de dados

Boas práticas para conformidade com LGPD para aplicativos

As lojas de aplicativos, como Google Play e App Store, desempenham um papel importante na conformidade com a LGPD. Essas plataformas revisam as políticas de privacidade, por meio da avaliação das práticas de coleta e tratamento de dados, com objetivo de confirmar que estejam de acordo com os princípios da lei brasileira.

Para os aplicativos, é fundamental adotar uma série de melhores práticas voltadas à privacidade e segurança dos dados. São elas:

  • Mapeamento dos dados: etapa essencial para compreender o fluxo das informações, definir quais informações são essenciais para o funcionamento do aplicativo e quais delas podem ser descartadas. Dessa forma, é possível identificar os pontos de atenção.
  • Revisão de permissões: ao ajustar as permissões, é possível evitar acesso, compartilhamento ou uso desnecessário dos dados e arquivos sensíveis do usuário. Por exemplo: um aplicativo de edição de fotos pode precisar de acesso à sua câmera e à sua galeria de imagens, mas não necessariamente à sua lista de contatos ou à sua localização.
  • Capacitação da equipe técnica: desenvolvedores, gestores e demais colaboradores devem compreender os fundamentos da LGPD e as formas de aplicar os conceitos de privacidade em todo o ciclo de vida do aplicativo. Assim, é possível evitar vazamentos por desconhecimento da lei.
  • Plano de contingência: mesmo com todos os cuidados e medidas preventivas implementadas, é crucial que os desenvolvedores estejam preparados para lidar com incidentes de segurança que possam comprometer dados pessoais. A primeira ação deve ser a notificação à Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) e aos usuários afetados. Posteriormente, é necessário impedir que o acesso aos dados seja ampliado e minimizar os danos aos internautas.

Tela de aplicativo com as opções de “aceitar” ou “declinar” os termos de privacidade de dados

União de tecnologia e conhecimento jurídico na proteção dos aplicativos

No contexto técnico, a adequação à LGPD para aplicativos demanda a integração de soluções de segurança da informação. Tecnologias de criptografia, autenticação multifatorial e sistemas de backup são essenciais para garantir que os dados dos usuários estejam protegidos, demonstrando que é possível alinhar inovação e segurança.

A arquitetura do aplicativo deve ser desenvolvida para isolar as informações sensíveis e permitir uma rápida resposta em caso de imprevistos.

Do ponto de vista jurídico, é imprescindível que os responsáveis pelos aplicativos estejam atualizados sobre a legislação. Documentar todo o processo de tratamento de dados, desde a coleta até o descarte, é uma prática determinante para garantir a legalidade e evitar penalidades.

Essa capacidade de rastrear o “fluxo da informação” assegura a responsabilidade e a confiança no tratamento dos dados, promovendo um ambiente digital mais seguro e ético.

Para unir tecnologia e conhecimento jurídico, destacamos o modelo Data Protection Officer (DPO) as a Service, que tem como diferencial a capacidade de otimizar recursos para antecipar-se a incidentes. Consequentemente, tem capacidade de definir a prosperidade dos aplicativos por meio de auditorias periódicas e de uma atuação como ponto de contato com a ANPD.

O DPO as a Service, ao gerar benefícios e proteção personalizados, é ideal para a implementação de um programa de privacidade eficaz para os aplicativos, uma vez que lidam com alto volume de dados pessoais ou dados sensíveis.

Executiva de proteção de dados segurando o celular e executando política de segurança em aplicativo

Consultoria especializada em LGPD: a segurança que os aplicativos necessitam

A linguagem utilizada na política de segurança deve ser clara, simples e objetiva, facilitando a compreensão por parte dos desenvolvedores e dos usuários dos aplicativos.

Para que isso ocorra, a adequação à LGPD deve ser tratada como um processo contínuo e que exige uma visão integrada dos aspectos legais, técnicos e operacionais dos aplicativos.

A Tonani Advogados possui expertise comprovada em LGPD e está preparada para garantir a conformidade dos aplicativos, que ganham destaque e fidelização ao priorizar a segurança.

Nossa equipe está pronta para auxiliar em cada etapa na jornada da proteção de dados, desde auditorias técnicas até a execução de políticas de privacidade. Fale com os nossos especialistas e tenha a estratégia adequada à LGPD para aplicativos.

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